Entrevista com Luciana Maia - Parte 1
Confira abaixo a parte um da entrevista feita com Luciana Maia, dona do instituto de Belas Artes em Brasília.
Entrevista com Luciana do Instituto de Belas Artes
JÚLIA: Bom dia Luciana a gente quer agradecer por estar aqui, estamos muito felizes em
recebê-la. Todo mundo aqui adora teatro musical e durante a nossa pesquisa a gente
percebeu que o teatro musical vem crescendo muito no Brasil nesses últimos anos.
LUCIANA: Sim.
JÚLIA: E nós temos muitas produções nacionais e também muitos musicais estrangeiros
estão chegando.
LUCIANA: sim.
JÚLIA: E como o Gerson da Silva¹
fala na sua dissertação “A Broadway não é aqui” isso
também traz uma profissionalização do artista e as escolas estão fornecendo essa
preparação para os artistas e a gente viu que o Instituto Belas Artes ² proporciona
programas em inglês treinamentos e consultoria. Isso despertou um interesse e uma
curiosidade na gente em saber como tudo isso começou e qual o objetivo do instituto.
(Celular da Luciana cai e provoca risadas em todos).
JÚLIA: girou tudo.
LUCIANA: Derrubei vocês, desculpa. Vamos lá, como que isso tudo começou. Eu
comecei pessoalmente adolescente também com interesse pelo teatro musical com sonho
de palco e fui estudar fora, tive essa oportunidade, tive o privilégio de poder correr atrás
dessa oportunidade. Isso é algo que a gente pode até discutir um pouco mais pra frente, a
relação que aparece muito dentro do meu trabalho no instituto belas artes que é a relação
entre o privilégio e o que que se faz com isso, da oportunidade ao acesso, as oportunidades
versus e/ou trabalho duro que é associado a isso. Mas, eu tive o privilégio de ter acesso a
essas coisas e trabalhei (inint) para caramba.
LUCIANA: Tive a oportunidade de estudar fora, fui aos 17 anos fiz um ano de
intercâmbio nos Estados Unidos em Oklahoma City, Oklahoma, estudei ao longo desse
um ano na Harding Fine Arts Academy ³ por um ano com (High school senior) era uma
escola de ensino médio especializada em artes e aqui eu já fazia, enfim, já tinha começado
as atividades artísticas de forma extracurricular, então fiz aula de piano, aula de dança,
ballet, jazz enfim, de todas as danças, aula de música de canto de teatro musical. Tudo
isso eu comecei aqui de forma extracurricular e aí quando fui para os Estados Unidos
nesse primeiro ano fiz de forma curricular dentro do programa da escola Harding Fine Arts academy.
LUCIANA: Então, eu me formei no ensino médio já nos Estados Unidos e aí eu durante
esse processo, durante esse ano que eu estive lá eu fiz todo o processo de admissão para
a universidade, eu fui para Oklahoma porque eu já sabia que era lá que tinha a
universidade onde eu queria ir a Oklahoma City University⁴
e aí durante todo esse ano eu
fiz todo o processo de application, fiz todos os exames, todas as provas que tinham que
ser feitas, fiz as audições, para o meu grande alívio eu fui aceita na universidade, porque
eu só fiz o processo de admissão lá, então era tudo ou nada (risadas) eu falei é aqui que
eu quero ir e foi lá que eu tentei e consegui e tive uma boa audição tirei boas notas e me
ofereceram uma bolsa de estudos, é um programa caro... Vão fazer oito anos que eu me formei, então há mais de 10 anos, 10/12 anos o dólar não era 5 e 50 mas ainda assim pagar
em dólar não era simples, meus pais puderam pagar pela minha faculdade. Fui, consegui,
pude ir, passei pelo processo de admissão e fui agraciada com oferta de bolsas, várias
bolsas na verdade, não tive só uma bolsa eu tive 4 bolsas de estudo e todas elas juntas
somaram aproximadamente 70% do valor do curso e foi por isso que eu consegui ir,
porque realmente se eu tivesse tido que pagar o valor completo do curso não teria tido
essa oportunidade. Mas, as oportunidades de bolsas são extensas são várias
oportunidades, que isso já é bem diferente da forma que as instituições de ensino
funcionam aqui no Brasil, então desde esse início já tive esse contato.
LUCIANA: Fui e fiz o curso de BFA – Bachelor of Fine Arts in Acting, um bacharelado
de Belas Artes em atuação foi o meu curso e aí, enfim, um curso incrível muito completo
não foi um curso especificamente de teatro musical, não sou formada em teatro musical,
sou formada em atuação e no último ano de faculdade resolvi também fazer um minor in
directing, então eu tenho também uma especialização em direção além da formação de
atuação. De toda forma, a formação nas instituições Americanas de atores ela não foca só
na atuação, então mesmo enquanto estudante de atuação, dentro do currículo são incluídos
vários créditos de dança e de canto e de música de acústica, de movimento etc.
LUCIANA: E não só todo currículo só de atuação e aí óbvio durante essa minha
experiência eu estive durante toda a minha carreira na faculdade, estive envolvida em
produções de teatro musical que no fim das contas sempre foi a minha grande paixão
apesar de eu ter estado na faculdade como estudante de atuação fiz várias peças, mas o
teatro musical continuou sendo a minha grande paixão, estive em produções de teatro
musical tanto dentro da faculdade quanto fora, em outras companhias de teatro também
da cidade na época. Depois disso, me formei, me mudei para Nova Iorque onde fiquei um
tempo trabalhando e depois voltei para o Brasil com meu marido que é brasileiro, nos
casamos enquanto eu estava morando lá e ele foi morar lá comigo, ficou lá um tempo
trabalhou também em teatro comigo, inclusive em alguns momentos na mesma
companhia de teatro, na parte toda técnica foi premiado pelo trabalho dele em iluminação
e sonorização. Voltamos pro Brasil, voltamos depois dessa temporada já com a ideia de
abrir aqui o Instituto de Belas Artes para a gente poder trazer para cá tudo o que nós
tínhamos aprendido e colocar em prática aqui e trazer para a cena brasiliense
especificamente toda essa riqueza de técnica e de conhecimento de estilos e formas de
fazer as coisas que nós tínhamos aprendido e que de fato é muito diferente da forma que
nós sabíamos até o momento que as coisas eram feitas aqui.
LUCIANA: Realmente nos últimos 2 anos o cenário de teatro musical tem crescido
bastante, inclusive, aqui em Brasília e tem companhias que têm feito bastante coisa, mas
a forma de trabalho ainda é muito diferente da forma que nós aprendemos fazendo nos Estados Unidos, então a gente através do Instituto de Belas Artes, a gente traz para o
cenário de Brasília um mesmo estilo de trabalho que é realizado no exterior.
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1 - ESTEVES, Gerson da Silva. "A Broadway não é aqui: Teatro musical no Brasil e do Brasil: Uma diferença a se estudar." São Paulo: FACULDADE CÁSPER LÍBERO (2014).
2 -https://instagram.com/institutodebelasartes?igshid=NDk5N2NlZjQ=
3 - https://hardingfinearts.org/
4 - https://www.okcu.edu/


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